terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Poirot e Eu por David Suchet

Poirot and Me
Poirot and Me - Capa
Há mais de 24 anos interpretando o detetive belga Hercule Poirot, David Suchet decidiu compartilhar com os fãs suas experiências e lembranças sobre a produção da série Poirot.

No dia 7 de novembro ficou disponível  para donwload o ebook  “Poirot and Me”, publicado pela Headline e oferecido pelo Amazon. O livro traz curiosidades sobre a produção e atores convidados, entre elas, a forma como Suchet foi selecionado para interpretar o personagem, com o apoio da filha de Agatha Christie. Determinado a oferecer a interpretação mais autêntica de Poirot até o momento, ele enfrentou alguns obstáculos ao discutir com diretores e produtores a forma como o personagem deveria ser construído.

Segundo Suchet, em 1988, durante as filmagens do episódio “The Adventure of the Clapham Cook”, da primeira temporada da série, o diretor Ed Bennett criticou a forma melindrosa como Suchet retratou a mania de Poirot por higiene. Na cena, ele tirou seu lenço do bolso e limpou o banco antes de sentar-se. Bennett considerou a ação ridícula. Defendendo seu ponto de vista sobre o comportamento do personagem, Suchet bateu o pé e se negou a mudar a cena. A discussão chegou ao ponto da equipe chamar o produtor Brian Eastman para que ele apartasse a briga.

Criada na década de 1980 com o objetivo de adaptar toda a obra de Christie estrelada pelo detetive, a série encerrou sua trajetória no último dia 13 de novembro, quando foi ao ar na Inglaterra o telefilme  “Curtain: Poirot’s Last Case”. Antes disso, no dia 6 de novembro, o canal ITV apresentou o telefilme “The Labors of Hercules”. No Brasil, a série é exibida pelo Film&Arts.


Suchet ainda sonha em voltar a interpretar Poirot. Ele espera que, no futuro, sejam produzidos remakes cinematográfico de algumas das histórias retratadas na série. A favorita dele é “The ABC Murders”, exibida na TV em 1992.


Com o final da série, a editora HarperCollins anunciou a publicação de uma nova aventura de Poirot, escrita por Sophie Hannah, a ser publicada em setembro de 2014, com o apoio dos herdeiros de Christie. Embora a autora pretenda seguir o estilo narrativo da escritora, Suchet não tem interesse de estrelar qualquer adaptação que não seja um original de Christie.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/temporadas/tag/poirot/

sábado, 2 de novembro de 2013

O Medo de Agatha Christie

Em sua autobiografia (que é um dos seus melhores livros, se não o melhor de todos) Agatha Christie discute de vez em quando alguns temas ligados à literatura policial, entre eles o do medo. Embora seja mais famosa por seus romances detetivescos, como os de Hercule Poirot e Miss Marple, ela escreveu também romances e obras de suspense,  dos quais o mais famoso, sem dúvida alguma, é “O Caso dos Dez Negrinhos”.

O que há de mais interessante na saudosa Rainha do Crime é que era uma mulher inteligente, intuitiva, perspicaz, mas sem muita sofisticação conceitual. Vendo-a discutir literatura, história da Inglaterra ou a vida de uma dona-de-casa, estamos diante de alguém que pensa com sutileza e originalidade, mas em momento algum transforma isto em linguajar "pseudofilosofante".

Ela relata que, na infância, uma das coisas que mais lhe causavam medo era a brincadeira da “irmã mais velha”, uma irmã fictícia, que ela imaginava ser louca e moradora de uma gruta, além de ser sósia de sua irmã mais velha, Madge.

A brincadeira consistia em Madge mudar de voz no meio de uma conversa qualquer, e dizer:

_Agatha, você sabe quem eu sou, não é?  Sou Madge. Você não está pensando que eu sou outra pessoa, não é?

A mudança na voz... a mudança no olhar... alguns pequenos gestos... e isto bastava para que Agatha, com cinco anos, tivesse certeza de que não era Madge que estava ali, mas “A Irmã Mais Velha”... Consequentemente a futura e destemida Rainha do Crime, saía correndo, aos gritos.
Depois, comentava ela:

_Por que gostava tanto da sensação do medo? ... Será que habita em nós algo que se rebela contra uma vida com excessiva segurança? ... Será que é necessária à vida humana a sensação de perigo? ... Necessitamos instintivamente de algo a combater, a superar, como se fosse uma prova que quiséssemos dar a nós próprios? ... Se tirássemos o lobo da história de Chapeuzinho Vermelho, alguma criança gostaria dessa história? ...

O medo pode vir dessa capacidade de estranhamento, de distanciamento, de olhar algo que nos é familiar e ver naquilo uma presença ameaçadora. Este processo mental é o reverso de outro que busca nos apaziguar, transformar o estranho ou ameaçador no familiar, no que está sob o controle da consciência.


Agatha relata também a história divertida de um de seus netos, Matthew, que certa vez ela viu, aos dois anos de idade, descendo uma escada sozinho. Com medo de rolar pelos degraus, ele se agarrava à balaustrada, descia um degrau de cada vez, murmurando baixinho:

_Este é Matthew... ele está descendo a escada...

É uma ilustração nota-dez do nosso processo de racionalização, de “olhar de fora” algo arriscado para assumir um mínimo de controle sobre o que ocorre. E ela diz que todas as vezes que precisava participar de eventos públicos, apesar de sua timidez, murmurava para si mesma:

_Esta é Agatha... ela é uma escritora famosa... vai dar uma palestra...

E isto a tranquilizava...


"Um dos nossos maiores medos é o medo daquilo que nossa mente não consegue dominar"

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O Inimigo Imaginário de Agatha Christie

Toda criança tem um amigo imaginário; vai ver que todas têm também um inimigo imaginário. Agatha Christie conta em suas memórias que um dos seus pesadelos mais constantes durante a infância envolvia um personagem que ela chamava "O Homem do Fuzil".

Era uma espécie de soldado francês, com chapéu de tricórnio e um mosquetão antiquado ao ombro. Aparecia nos momentos mais inesperados: quando a família estava reunida para o chá, ou quando as crianças brincavam no jardim. De repente, a pequena Agatha começava a sentir uma inquietação crescente. Olhava em volta, e acabava vendo-o sentado à mesa, ou caminhando na direção delas, na praia. Ele se aproximava, com os olhos fixos nela, e eram olhos de um azul muito pálido. Ela acordava gritando; “O Homem do Fuzil! O Homem do Fuzil!” Ela não temia que o homem disparasse o fuzil, que era apenas uma parte de sua indumentária, como o chapéu ou as botas. Era a simples presença dele, e seu olhar cruel, que a amedrontava.

Com o passar dos anos, o pesadelo foi se sofisticando, e o Homem do Fuzil passou a fazer aparições mais sutis. Diz ela: “Algumas vezes estávamos sentados ao redor de uma mesa de chá, eu olhava para um amigo ou para um membro da minha família e, de repente, tinha consciência de que não era Dorothy, ou Phyllis, ou Monty, ou minha mãe, ou qualquer outra pessoa. Nesse rosto familiar, os pálidos olhos azuis encontravam-se com os meus. Era "o Homem do Fuzil.”


 É um pesadelo notável para uma garota de cinco anos, mas é mais notável ainda quando refletimos em quem essa garota se tornou. Agatha Christie está entre os autores que melhor exploraram um tipo de história que os analistas do romance policial chamam de “cozy mystery” (“mistério aconchegante”), ou de “country house murders”. São histórias geralmente ambientadas numa casa de campo (ou mais raramente casa de praia) onde um grupo de pessoas amigas se reúne para passar um feriado ou final de semana, e ali, no meio daquele ambiente tranqüilo, acaba acontecendo um assassinato.


Agatha Christie


O “cozy mystery” é tipicamente a descrição de como a harmonia num círculo de pessoas amigas, ou numa família, é rompida subitamente por um crime brutal. Segue-se uma investigação, no curso da qual o detetive, geralmente Hercule Poirot, começa a desvendar segredos, conflitos, ódios reprimidos, ressentimentos acumulados, e começa a perceber que todo mundo ali poderia ter motivo para matar a vítima. Ele vai reunindo as pistas, confrontando os depoimentos, e o livro culminam com uma sessão em que todos os suspeitos são reunidos numa sala, com a presença da polícia. Ali, Poirot faz uma reconstituição de como o crime foi cometido, elimina de um em um os suspeitos, até que o funil vai-se estreitando, e ele aponta o verdadeiro criminoso. Porque mesmo num ambiente de aparente harmonia um parente nosso, ou um amigo da família, de quem menos se suspeitava, pode ser "O Homem do Fuzil".

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Aloha! Agatha Christie também foi Surfista

Você aí, que acha que Agatha Christie já nasceu com aquele seu  jeito de vovó, prepare-se para mudar seus conceitos em relação à Rainha do Crime. Em fevereiro de 1922, ela e o marido, Archie (Archibald Christie), partiram para uma volta ao mundo que duraria dez meses. Entre outras aventuras, o casal surfou na África e em Honolulu. Ou melhor, em Honolulu eles tentaram, como a própria escritora contou em sua Autobiografia (publicada em 1979 no Brasil pela Nova Fronteira).


“Nossa viagem foi lenta, parando em Fidji e em outras ilhas antes de chegarmos. Achamos Honolulu muito mais sofisticado do que pensáramos, com muitos hotéis, estradas e automóveis. Chegamos cedo, pela manhã, fomos para nosso quarto do hotel e, imediatamente, vendo pela janela gente a fazer surf, correndo para a praia, alugamos pranchas e mergulhamos no mar. Éramos, claro, totalmente ingênuos. Estava um dia ruim para fazer surf – um desses dias em que só os peritos vão para o mar; mas nós, que havíamos feito surf na África do Sul, acreditávamos que surf para nós, já não era mistério algum. Acontece que em Honolulu era diferente. A prancha, por exemplo, era um grande pedaço de madeira, quase que pesado demais para que o pudéssemos erguer. Deitamo-nos em cima dela e nadamos vagarosamente até os recifes, a uma milha de distância – pelo menos foi o que me pareceu. Aí, colocamo-nos na devida posição e esperamos por uma dessas ondas que nos atiram pelo mar a fora até a praia. Não é tão fácil quanto parece. Primeiro, temos que reconhecer a espécie de onda própria para isso e depois, ainda mais importante, temos que reconhecer a onda que não serve, porque se somos apanhados por uma daquelas que nos arrasta para o fundo só Deus nos poderá ajudar! Eu não era uma nadadora tão experiente quanto Archie, de modo que demorei mais tempo a atingir os recifes. Por essa altura já perdera Archie de vista; presumi que estivesse flutuando em direção à praia, negligentemente, como os outros estavam fazendo. De modo que me coloquei apropriadamente em cima da minha prancha e esperei pela onda. Ela veio. Era da espécie imprópria. Num abrir e fechar de olhos eu e minha prancha fomos atiradas para milhas uma da outra. Primeiro, a onda, depois de me arrastar violentamente para o fundo do mar, sacolejou-me muito. Quando atingi a superfície, sem respiração e tendo engolido enormes quantidades de água salgada, avistei minha prancha, flutuando a meia milha de mim, em direção à praia. Nadei laboriosamente atrás dela. Foi recuperada para mim por um jovem norte-americano que me cumprimentou com as seguintes palavras: `Escute, irmã, se eu fosse você, hoje não faria surf. Você está arriscando demais. Tome a prancha e nade direitinho para a praia.´ Segui imediatamente seu conselho.”

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Mais uma faceta da Rainha do Crime - Surfista

sábado, 28 de setembro de 2013

Agatha Christie já foi investigada pelo MI5 - Serviço de Inteligência Britânico -

Durante a Segunda Guerra Mundial, Agatha Christie foi investigada após uma onda de desconfiança de que ela tivesse um espião dentro do serviço secreto britânico MI5.

O motivo da suspeita, segundo o jornal "The Guardian", só foi revelado agora, pois as informações sobre o caso estão em um novo livro sobre o MI5, intitulado de "The Codebreakers of Station X", de Michael Smith, publicado em 4 de fevereiro de 2013.

As investigações foram devidas ao romance "N ou M?", lançado em 1941, pois o nome de um dos personagens é "Major Bletchley", e seria em referência ao Bletchley Park, antiga instalação militar que tinha como objetivo decifrar códigos alemães.

Na história, Bletchley aparece como um militar aposentado indiano que diz ter informações sobre a estratégia inglesa durante a guerra. Por coincidência, a escritora inglesa era amiga de Dilly Knox, um dos agentes de Bletchley Park.

Segundo informações encontradas nos arquivos de Bletchley Park, o serviço secreto queria saber sobre o que Agatha tinha acesso, mas temia que a investigação fosse publicada. Knox teria afirmado que a escritora não sabia de nada, mas que perguntaria a ela. Durante o encontro, ele perguntou à autora de onde surgiu a ideia de batizar o personagem de Bletchey e sua resposta surpreendeu:

"Bletchley? Meu querido, eu fiquei presa lá no trem que ia de Oxford a Londres e, como vingança, dei o nome da cidade ao meu personagem menos querido", disse a autora, para alívio do serviço secreto.


... Essa é a nossa Rainha do Crime, sempre surpreendendo a todos!

Fonte:

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Segredo de Agatha Christie

(Trecho de Segredos do romance policial, de P. D. James)

Já se gastaram resmas de papel na tentativa de desvendar o segredo do sucesso de Agatha Christie. Escritores que investigam o fenômeno começam normalmente com a aritmética de suas conquistas: só a Bíblia e Shakespeare venderam mais do que ela, traduzida para mais de cem idiomas, autora da peça que mais tempo ficou em cartaz em Londres e, além disso, agraciada com prêmios que o sucesso reserva geralmente apenas aos mais elevados talentos literários - Dame do Império Britânico e um título honorário de doutora em literatura pela Universidade de Oxford. A questão permanece: como essa senhora bem-criada, essencialmente eduardiana, conseguiu isso?

Com toda certeza o apelo universal de Christie não repousa em sangue ou violência, não nos corpos crivados de balas nas ruas perigosas de Raymond Chandler, na selva de pedra do detetive sardônico, rápido no gatilho e gozador, nem na cuidadosa análise psicológica da depravação humana. Embora seus dois detetives, Poirot e MissMarple, de vez em quando investiguem assassinatos no exterior, seu mundo natural, conforme percebido pelos leitores, é uma aconchegante e romantizada cidadezinha inglesa, enraizada em nostalgia, com sua hierarquia bem ordenada: o cavalheiro rico (muitas vezes com uma jovem esposa de antecedentes misteriosos), o coronel aposentado irascível, o médico de aldeia e a enfermeira regional, o farmacêutico (útil para a compra de veneno), as solteironas fofoqueiras atrás das cortinas de renda, o pároco local, todos se movimentando previsivelmente em sua hierarquia social como num tabuleiro de xadrez. [...]

Christie não usa grande sutileza psicológica em suas caracterizações; seus vilões e suspeitos são desenhados em traços amplos e claros e, talvez por causa disso, têm uma universalidade que leitores do mundo inteiro podem reconhecer instantaneamente e com a qual se sentem à vontade. Acima de tudo, ela é uma prestidigitadora literária que coloca as cartas de baralho com seus personagens viradas com a face para baixo e as embaralha com experiente destreza. Jogo após jogo temos certeza de que dessa vez vamos virar a carta com o verdadeiro assassino, e toda vez sua astúcia nos derrota. E, quando se trata de um mistério de AgathaChristie, nenhum suspeito pode ser eliminado com segurança, nem mesmo o narrador da história.

Com outros escritores de mistério da Era Dourada, podemos ter uma razoável confiança de que o assassino não será um dos enamorados jovens e atraentes, um policial, uma criada ou uma criança, mas com Agatha Christie não há favoritos nem entre assassinos, nem entre vítimas. A maioria dos autores de mistério hesita, como eu, em matar os muito jovens, mas ela é dura, tão disposta a matar uma criança, claro que uma criança precoce e inimputável, quanto a dar fim num chantagista. Com a Sra. Christie, assim como na vida, a única certeza é a morte.

Talvez sua maior força esteja em nunca ter ultrapassado os limites de seu talento. Ela sabia precisamente o que era capaz de fazer e fazia bem. Durante mais de cinquenta anos, essa mulher tímida e convencional produziu mistérios de assassinato de extraordinária destreza imaginativa. Com uma produção imensa, a qualidade é inevitavelmente irregular [...], mas em sua melhor forma a engenhosidade é assombrosa. Sua habilidade fundamental como contadora de histórias é o talento de enganar, e é possível identificar alguns dos truques, com frequência verbais, com os quais ela nos induz, com delicada esperteza, a enganarmos a nós mesmos.

Com o tempo, quase alcançamos a esperteza da autora. Tomamos cuidado ao entrar naquela que é a mais letal das salas, a biblioteca da casa de campo, suspeitamos do desocupado insinuante que volta de terras estrangeiras e atentamos cuidadosamente aos espelhos, aos gêmeos e aos nomes andróginos. Ela gosta sobretudo de uma versão do eterno triângulo em que um casal, aparentemente feliz no noivado ou no casamento, é ameaçado por uma terceira pessoa, às vezes predatória e rica. Quando a vítima é assassinada, há pouco mistério quanto ao suspeito principal. Só no fim do livro Christie gira o triângulo e reconhecemos que ele estava de ponta-cabeça o tempo todo. E suas pistas são brilhantemente criadas para confundir. O mordomo olha de perto um calendário. Ela planta assim em nossa mente a suspeita de que uma pista crucial está relacionada com datas e horários, mas a pista, na verdade, é que o mordomo é míope.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Charles Osborne e Agatha Christie: Uma póstuma parceria que deu certo!


O Visitante Inesperado

Não se deve confiar no óbvio. Pelo menos quando o assunto é Agatha Christie. Em O VISITANTE INESPERADO — peça teatral transformada em romance por Charles Osborne — a velha Rainha do Crime mostra porque é considerada mestre no assunto e já vendeu bilhões de exemplares em todo o mundo. O mistério é o personagem principal numa trama repleta de reviravoltas, diálogos tensos, diversos suspeitos e com final surpreendente.


O VISITANTE INESPERADO pode ser definido como um mistério disfarçado de não-mistério, pois começa aparentemente com a resolução de um caso de assassinato. O engenheiro Michael Starkwedder atola seu carro numa vala num frio fim de tarde de novembro. Ao procurar ajuda numa casa das imediações, dá de cara com um cena bizarra. Uma mulher, segurando uma arma ao lado do cadáver do marido, se confessa culpada. Mas nada é tão simples quanto parece. O morto — o deficiente físico Robert Warwick — era um sádico de caráter irascível, odiado por muitos.

A cada virada de página, ao se descortinarem as idiossincrasias de Warwick, fica mais difícil acreditar que ele tenha sido morto pela esposa. Satarkwedder encarna o detetive amador e começa a investigar o caso. A ele logo se junta um inspetor de polícia com inclinações poéticas — sempre citando autores famosos, entre eles Keats. Os dois suspeitam que a viúva está tentando encobrir alguém. Talvez um parente do menino atropelado e morto por Warwick dois anos antes... quem sabe o cunhado psicologicamente problemático... ou, até mesmo, o próprio amante da viúva... A dúvida fica no ar até o último instante, e o seu final é simplesmente surpreendente!!!

Ao adaptar a peça O VISITANTE INESPERADO, Charles Osborne resgata uma história inédita para uma legião de fãs de Agatha Christie.

Agatha Christie nasceu em 1890 e tornou-se, para falar com toda simplicidade, na maior romancista da história em vendas. Escreveu 80 romances e coletâneas de mistério, e viu sua obra traduzida em mais línguas do que Shakespeare. Seu duradouro sucesso, promovido também por muitas adptações para o cinema e a TV, é um tributo ao apelo atemporal de seus personagens e à inigualável engenhosidade de suas tramas.

Charles Osborne nasceu em Brisbane no ano de 1927. É reconhecido internacionalmente como uma autoridade em ópera, e escreveu inúmeros livros sobre temas musicais e literários, entre eles As óperas completas de Verdi (1969), Wagner e seu mundo (1977), W.H. Auden: A vida de um poeta (1980) e A vida e os crimes de Agatha Christie (1982). Sua primeira adaptação de uma peça de Agatha Christie como romance, Black Coffe (Café preto), foi publicada em 1998.


Comentários sobre "O Visitante Inesperado"

"Uma leitura leve e vigorosa, que irá dar prazer a todos aqueles que há muito desejavam ter pelo menos mais um Agatha Christie para devorar." — Antonia Fraser, Sunday Telegraph

"Um valioso acréscimo ao cânone Christie." — The Spectator

"Lê-se como um autêntico Christie, da mais pura safra. Tenho certeza de que Agatha ficaria orgulhosa de havê-lo escrito." — Mathew Prochard, neto de Agatha Christie